quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

2.º dia do ano: garimpando livros no sebo

No segundo dia do ano eu saio da toca e timidamente me aventuro no bairro mais calmo, com menos gente e carros, sem corre-corre de horário apertado, só para bater pernas e comprar uma coisa ou outra, ou não.
Gosto de passar no Sant´Anna Sebo, na Rua Salete, para garimpar alguma coisa. Hoje encontrei dentre os livros que levei um que me faz parte da memória de infância e a de muita gente : "A Alegria de Cozinha", da Helena Sangirardi, 1960, Livraria Martins Editora, Rio de Janeiro.

Cresci vendo as figurinhas da cozinheira em cada capítulo, imaginando a cena como um desenho animado de uma imagem só!

E foi através deste livro que eu comecei a pegar gosto por cozinhar, por ser fácil de compreender, mesmo para uma criança (o que não quer dizer que não tenham havido desastres na cozinha).
Peguei o livro com um carinho nostálgico e reparei que ele foi escrito e editado nos mesmos moldes dos livros estrangeiros da década de 50, inclusive imitando a paginação dos antigos de Julia Child.
Num dos capítulos sobre aves, Helena Sangirardi ensina de maneira bem explícita como matar e preparar um peru para o Natal!(lembram-se do filme Julie&Julia, da cena da lagosta e da cena de como desossar um pato?). Coisas do tempo em que a dona de casa tinha um quintal, onde poderia fazer o sacrifício da ave, contando-lhe o pescoço e colocando-a de cabeça para baixo, para escoar todo o sangue (minha avó Cecília fez muito isso com patos e galinhas, o que me mantinha afastada do local nestas ocasiões...).
Hoje, eu pego o livro mais como um carinho pelo lado gostoso do passado. Ele tem seus méritos pelo pioneirismo, embora nós contemporâneos possamos achá-lo incompleto de algumas informações precisas: essas informações básicas, que achamos faltar, as mulheres daquela época sabiam instintivamente, não precisavam de "A junta com B e junta com C para dar D"; "forno alto" no fogão Cosmopolita era um só, etc...
À Helena Sangirardi, onde quer que esteja, meu beijo em seu coração e meu obrigado pela tarde de leitura deliciosa.

2 comentários:

Santa Gastronomia disse...

Que fofo, Cybele, este livro!
Não o conhecia, mas costumo ir à sebos tbém, garimpar livros, hehe..
Se um dia eu vê-lo, vou levar!

Bjinhus..

Cybele Belschansky disse...

É bem velhinho mesmo! Procure também pela internet, que tem gente oferecendo para vender. Vale como fonte de pesquisa. É tão velhinho que nem brigadeiro tem! Elas usavam muito coco, amendoim, laranja, mas pouco chocolate (ou usavam com parcimônia). Bjs!

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