sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Os erros da engenharia a terra encobre...


Quem é síndico responsável sabe como é difícil consertar o que foi feito com imperícia e irresponsabilidade por administrações muito anteriores à sua e como a manutenção de algo que deveria ser simples se torna oneroso para todos os condôminos por isto.
O velho ditado "Os erros médicos a terra encobre..." pode ser aplicado com perfeição à engenharia estrutural, quando realizada por incapazes ou pessoas mal intencionadas, que visam lucro pessoal em "economizar" numa obra de tamanho vulto, como hidráulica, elétrica, estrutura, etc..., provavelmente embolsando alguma "comissão" nisso.
Não é possível que uma criatura em sã consciência possa autorizar um empreiteiro a realizar "gambiarras" como a que encontramos na primeira foto (a da junta de PVC "adaptada" à fogo para caber no cano) e possa dormir em paz, sabendo que o chão a seus pés está recebendo água e esgoto e que um dia a erosão pode levar toda a terra do solo, causando o estrago que mais tarde nos está custando R$15.000,00 para consertar.
 Um prédio como o nosso, com 40 anos de idade, que foi deixado por 30 anos sem nenhuma manutenção, agora cobra seus cuidados, tal como um paciente idoso que nunca cuidou de sua saúde.
 Manilhas de barro eram comuns até a década de 70, quando aos pouco foram substituídas pelas de PVC especial. A acidez das fezes em contato com a tubulação de barro, aliada a constante movimentação da terra, rompe linhas de escoamento de esgoto e águas pluviais, conforme vemos nestas fotos retiradas no local. O barro é clara indicação de vazamento, as manilhas rompidas não tinham nenhum apoio ("berço") e conexões mal feitas colaboram para o estrago geral.


 Cadê a terra que estava aqui? A água levou...
É obrigação do síndico responsável gerenciar bem o orçamento de um Condomínio, fazendo o dinheiro de todos ser aplicado em manutenção e em possíveis melhoramentos ao conforto de todos. Cabe a ele realizar as melhores cotações, pesquisando o melhor preço a um melhor serviço também.
Quando eu trabalhava em um serviço público federal, a "máxima" da licitação (pelo menos o que nos passavam...) era escolher o orçamento "do menor preço", mesmo que isso implicasse em péssima qualidade (é que quem aprovava o orçamento não teria o serviço feito em sua casa particular...), pois assim determinava a lei das licitações (mentira!). O que acontecia era que tínhamos péssimos serviços, que precisavam que ser refeitos várias vezes (lógico, não precisa ser gênio para compreender isso). E como funcionária pública federal eu não concordava com isto, pois via o dinheiro público ser jogado fora, o meu dinheiro inclusive (eu pago impostos).
Pois bem, na vida civil é a mesma coisa. Muitos administradores querem parecer "simpáticos", "bacanas", "boa gente", sem se indispor com os condôminos quando o assunto é rateio de despesas necessárias e realizam verdadeiras barbaridades às escondidas, como a criança que varre o lixo para debaixo do sofá porque "ninguém vai ver mesmo" (um dia alguém move o sofá do lugar, seu infeliz!).
Obras de manutenção preventiva não dão status, fazer manutenção não dá votos e consertar canos e fiações não aparece na superfície, tal como uma "piscina" ou um "salão de festas".
Para muitos condôminos o importante é ter o condomínio baixo, o que também desejo de coração pois pago o meu, e quanto menos se gastar melhor, mesmo que seja para manter a casa em pé. Será que se estas pessoas morassem em casas e tivessem suas tubulações rompidas, sua parte elétrica em pane e rachaduras na estrutura, tendo que pagar a despesa sozinhos ao invés de ratear, deixariam um prédio 30 anos sem manutenção? Certamente que não.
Estamos agora realizando a segunda etapa da reconstrução do sistema de esgoto e águas pluviais de nosso prédio. Tenho acompanhado e fotografado todas as etapas e mantido em ordem os orçamentos, para futuras consultas. Com este serviço concluímos a "primeira prioridade" : manter a base do prédio e consertar o escoamento.
Próxima etapa: conserto de dois telhados e manutenção da parte elétrica. Vamos  colocar em Assembléia Geral, alguns condôminos vão dizer que tudo isto é bobagem, que não precisa fazer nada disso porque não está chovendo no apartamento deles e a luz está chegando bem. Provavelmente estes mesmos condôminos achem que tomar banho, ir ao dentista, fazer exames médicos de rotina também é bobagem, paciência...
Assim como meu antecessor, eu acredito que manutenção constante e preventiva é essencial. Fui criada de maneira a manter as coisas em ordem, assim continuo agindo como síndica.
Fazer viadutos dá votos, fazer esgoto não aparece e não dá.
E viva o Brasil, minha gente, terra da Copa do Mundo e das Olimpíadas! Que esgoto que nada...

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