Ele foi um membro querido da família, meu companheiro fiel por 20 anos de sua curta vida, o menino que conquistava o coração de todos os que vinham em casa, mesmo quem não gostava a princípio de gatos.
Ele era um gatinho tranquilo, bom julgador de caráter humano (quando ele ficava desconfiado ou fazia "boquinha" pra alguém era certeza de eu ter problemas com aquela pessoa posteriormente).
Meu sobrinho Gabriel um dia me ligou da casa de seu avô Erich e me pediu para "ficar com seu gato, porque ele viria embora e não tinha como levá-lo"(na verdade, ele acabara de encontrá-lo na garagem do prédio e ficou com dó do bichinho)."-Mas, Gabi, eu já tenho três gatas!". "-Ah, fica vai! Ele vai ficar sozinho!". "-Tá bom, que cor é o gatinho?". "-Ele é meio verde". "-Verde?!Tá, pode trazer". E ele apareceu com um filhotinho rajadinho todo arrebentado, pulguento, com carrapatos, com diarreia e falhas no pelo. Eu estava sentada no chão da cozinha, arrumando o armário da pia, quando eles entraram com o gatinho, que veio "rosnando" direto para meu colo, se aninhou e soltou uma borrifada. Bem, eu fui aceita como sua mãe! Dei-lhe um banho, catei as pulgas e carrapatos e o alimentei. O veterinário disse que "talvez" ele sobrevivesse e lhe prescreveu antibióticos. Quinze dias depois lá estava ele, correndo pelo apartamento, atazanando a vida das outras três gatas mais velhas - Gorda, Mimi e Suzana. Logo estabeleceu-se uma relação hierárquica entre os quatro, sendo que a avó ficou sendo a siamesa Suzana, sua vítima favorita de encurralar a Mimi e a Gorda ficou na companhia, meio indiferente.
Bruce Lee da Silva - recebeu este nome por causa de seus saltos e gemidinhos!
Sobreviveu à vida das outras - Mimi desapareceu após um incidente em casa, em que deixaram a porta aberta e tivemos que levar meu ex-marido para o hospital às pressas; Suzana era renal e morreu aos 21 anos e Gorda alguns anos depois com 17, também por complicações renais.
Bruce era renal também. Mudamos a ração mas ele vomitava - assim como Suzana com a ração para gatos renais- passamos a acompanhar no veterinário e vez ou outra era feita diálise. Aos poucos, as aplicações de soro subcutâneo foram aumentando em quantidade, o apetite diminuindo, até que ele ficou caquético e mesmo com a ração pastosa especial deixou de comer.
Eu o amava e ainda o amo. É doloroso para mim chegar em casa e não o encontrar no sofá ou em minha cama, enroladinho. Mas, como disse a veterinária Thelma, os gatos são animais altivos, se não estão bem se isolam e sofrem em silêncio.
Meu querido amigo morreu no dia 16 de setembro de 2015 aos 20 anos.
Ele foi, curiosamente, meu segundo gato rajado cinza, o vira-latinha de telhado. O primeiro se chamava Tumánho, era rajado e me seguia a todo lugar, como um cão de guarda. Eu costumava brincar que o Bruce era a reencarnação do Tumánho, pois ambos grudaram em mim como se eu fosse sua mãe ou irmã, confiando-me seus nobres corações.
Quem não gosta de gatos, eu nem vou tentar convencer pois é perda de tempo, mas quem gosta de animais de maneira geral vai compreender o amor que eles nos oferecem durante suas curtas vidas, incondicionalmente. Sim, gatos são amorosos também, embora não gostem de demonstrar isso com qualquer pessoa. Se você é uma destas pessoas eleitas por um gato para ser sua família, parabéns! Eles escolhem muito bem, não por interesse (eles se viram bem sozinhos) mas porque gostaram de você.
Que ele esteja bem no lugar em que estiver.